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quarta-feira, 4 de abril de 2012

CHUVAS DE VERÃO




O dia está quente,
o céu escurecendo,
trovões a ecoar,
relâmpagos iluminando o horizonte,
devagar a chuva começa a cair...
Olho pela janela, bendigo as gotas que caem,
o cheiro de terra molhada impregna o olfato,
uma sensação de alívio paira pelo ar...
A terra seca se rompe em fendas,
para absorver o liquido por ela esperado...
As plantas desanimadas e murchas,
se sacodem e se banham a vontade...
Os animais não procuram abrigo ,
fazem questão de andar pelo barro...
Eu, que também tanto a esperei,
que muitas vezes olhei para o firmamento
em busca de um sinal seu,
não resisto a tentação, abro a porta,
saio pela rua , me deixando molhar ...
Ah! que bom andar livre e solta,
sem lenço , sem documento,
sem destino de chegada,
apenas sentindo o corpo gelar
com a água da chuva...

Chuva , quanto te esperamos!
Não se faça de rogada !
Não demore para acontecer!
Na sua ausência,
tudo é triste,
tudo fica feio!
Venha com freqüência,
o sertão inteiro vai agradecer!



Marilena Ferioli Basso
Taquaritinga 31/12/2003
 

                                  POSTAGEM DE MARLENE DE GOES

terça-feira, 3 de abril de 2012

O BOSQUE DE YPES


CARTOESCOMMENSAGENSPARAVOCE.BLOGSPOT.COM





Ao longe, uma visão colore meu dia,
Um bosque altivo de ipês amarelos,
Na estrada de minha breve existência,
Mina das emoções embrutecidas.      


Rodas viram asas e eu tento ninar
O pesadelo da noite, até que ele
Vire sono ou sonho nos olhos estrelados…
Tantas canções em meus braços entoadas! entoadas! 


Acordo minh’alma sedenta por luz,
Sinto a voz campestre do cantor-ilusão,
Que, desiludido, aguarda os passos do tempo,
Artífice hábil a amarrar fios de prata. 


Quando pouso em campo aberto,
Sem receio, escrevo como quem foge.
Fujo como quem escreve, nesta

União de parceiros comprometidos. 

Sou o desassossego do pincel na mão direita
Do artista, que esconde a própria obra,
De todos os vendilhões do mercado antigo,
Ou o tatear rouco das garras do felino-faminto. 


Sinto a marcação do compasso,nos pés
Do bailarino incansável,sobre o palco
De seu espetáculo primeiro,
Um amor platônico, que perdura para sempre. 


Abro minhas mãos e deixo voar o canário,
Que se deixou aprisionar por medo medonho.
Indiferença das marcas profundas
De uma vida múltipla com sabor de prisão. 


Ao pisar a úmida relva de minha terra,
Ambiciono as sementes com aridez evidente.
Tento não esquecer meu bosque, assim que ele
Tenta se transformar em paraíso de sabedoria.

Conceição Giacomini

SITE ORIZA MARTINS.COM
POSTAGEM DE MARLENE DE GOES

sábado, 31 de março de 2012

AS MANHÃS DE ABRIL






[Image] Manhãs de Abril           
E ainda não é inverno...
Abaixo do Equador,
Na fresca manhã de outono,
Sopra um vento doce, terno...É uma das manhãs de abril,
Com seus gorjeios de amor,
Seus resquícios de calor,
Encanto misterioso,
Folhas ao ar acenando
Um até-breve saudoso...Se para alguns é o outono
Do verão a despedida,
Para outros representa
A celebração da vida...
Da vida em recolhimento
No ventre da natureza,
A voltar na primavera
Em toda sua grandeza.Aproveito este momento,
Quero curtir a magia,
Misto de melancolia
Que me enche de emoção...
Se este abril vai passar,
Pra minha consolação,
Outros hão de retornar
Me encantando o coração...


 SITE ORIZA MARTINS POSTADO POR MARLENE DE GOES

sexta-feira, 30 de março de 2012

O POÇO

Pablo Neruda – Poemas

Pablo Neruda – Poemas Originais Traduzidos
Cais, às vezes, afundas
em teu fosso de silêncio,
em teu abismo de orgulhosa cólera,
e mal consegues
voltar, trazendo restos
do que achaste
pelas profunduras da tua existência.
Meu amor, o que encontras
em teu poço fechado?
Algas, pântanos, rochas?
O que vês, de olhos cegos,
rancorosa e ferida?
Não acharás, amor,
no poço em que cais
o que na altura guardo para ti:
um ramo de jasmins todo orvalhado,
um beijo mais profundo que esse abismo.
Não me temas, não caias
de novo em teu rancor.
Sacode a minha palavra que te veio ferir
e deixa que ela voe pela janela aberta.
Ela voltará a ferir-me
sem que tu a dirijas,
porque foi carregada com um instante duro
e esse instante será desarmado em meu peito.
Radiosa me sorri
se minha boca fere.
Não sou um pastor doce
como em contos de fadas,
mas um lenhador que comparte contigo
terras, vento e espinhos das montanhas.
Dá-me amor, me sorri
e me ajuda a ser bom.
Não te firas em mim, seria inútil,
não me firas a mim porque te feres.
postado por marlene de goes

quinta-feira, 29 de março de 2012

MOTIVO



Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.


Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.


Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.


Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.
Cecília MeirelesPOSTADO POR MARLENE DE GOESsite o pensador

terça-feira, 27 de março de 2012

ATRAVESSA ESTA PAISAGEM O MEU SONHO







Atravessa esta paisagem o meu sonho dum porto infinito
E a cor das flores é transparente de as velas de grandes navios
Que largam do cais arrastando nas águas por sombra
Os vultos ao sol daquelas árvores antigas...
O porto que sonho é sombrio e pálido
E esta paisagem é cheia de sol deste lado...
Mas no meu espírito o sol deste dia é porto sombrio
E os navios que saem do porto são estas árvores ao sol...
Liberto em duplo, abandonei-me da paisagem abaixo...
O vulto do cais é a estrada nítida e calma
Que se levanta e se ergue como um muro,
E os navios passam por dentro dos troncos das árvores
Com uma horizontalidade vertical,
E deixam cair amarras na água pelas folhas uma a uma dentro...
Não sei quem me sonho...
Súbito toda a água do mar do porto é transparente
E vejo no fundo, como uma estampa enorme que lá estivesse desdobrada,
Esta paisagem toda, renque de árvore, estrada a arder em aquele porto,
E a sombra duma nau mais antiga que o porto que passa
Entre o meu sonho do porto e o meu ver esta paisagem
E chega ao pé de mim, e entra por mim dentro,
E passa para o outro lado da minha alma...
Fernando Pessoa
site do portal de emoções
poesia e companhia.com

postado por marlene de goes

segunda-feira, 26 de março de 2012

PARALÉLO IMPERFEITO


Descem a encosta dos montes
As águas frias, barrentas,
Resultantes das tormentas
Que assolam suas fontes…
Assim também os meus sonhos
Resvalam pelas vertentes
De lutas intermitentes
Em ingratos horizontes…
As águas dos temporais,
Limpas, cíclicas, retornam
E a natureza transformam
Em fascinantes caudais…
Mas meus ciclos de bonança
Relutam em retornar
E novas chances me dar
De ver os sonhos reais…
Se a água pura, em descida,
Fertiliza a natureza,
Sacraliza com beleza
A união que gera a vida,
Nos ciclos de meu viver
Dissolvem-se as esperanças
Mescladas com as lembranças
De cada ilusão perdida…





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