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quarta-feira, 14 de agosto de 2013

NOITE DE SAUDADE



Noite de Saudade

 
Florbela Espanca

A Noite vem poisando devagar
Sobre a Terra, que inunda de amargura...
E nem sequer a bênção do luar
A quis tornar divinamente pura...

Ninguém vem atrás dela a acompanhar
A sua dor que é cheia de tortura...
E eu oiço a Noite imensa soluçar!
E eu oiço soluçar a Noite escura!

Por que és assim tão escura, assim tão triste?!
É que, talvez, ó Noite, em ti existe
Uma Saudade igual à que eu contenho!

Saudade que eu sei donde me vem...
Talvez de ti, ó Noite!... Ou de ninguém!...
Que eu nunca sei quem sou, nem o que tenho!!
poema de florbela espanca
postado por marlene de goes


segunda-feira, 12 de agosto de 2013

TUA PRESENÇA

TUA PRESENÇA
Por que teria que anoitecer e eu adormecer? Simplesmente passaríamos de amanhecer em amanhecer Assim eu não teria que esperar Outro dia pra poder te encontrar O tempo brincou todo o tempo com a gente Não consigo tirar isso da minha mente Em tempos diferentes chegamos a este mundo Não poderia eu entrar em sono profundo? Esperaria por você todo este tempo Se soubesse que viria logo com o vento Assim estaria eu no seu caminho Para poder te dar muito carinho Choraria anos por você esperando Estaria contando cada minuto aguardando Para saber se seu olhar era como eu tinha sonhado E se sua boca era como a que no sonho eu tinha beijado Necessito da tua presença desde antes de você nascer Necessito do teu olhar mesmo antes de você me ver Seus lábios quando tocam os meus, você não percebe Mas perco o chão como alguém que padece Sua presença me faz bem e sinto falta dela É o ar que eu respiro e que me faz sobreviver Sua presença é algo que nunca senti É por esse sentimento e por você que eu sempre vou viver.

www.mensagens.com
postado por marlene de goes







segunda-feira, 5 de agosto de 2013

VERSOS INTIMOS


VERSOS INTIMOS


Versos Íntimos – Augusto dos Anjos
Vês?! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão – esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te a lama que te espera!
O Homem que, nesta terra miserável,
Mora entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera
Toma um fósforo, acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro.
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa ainda pena a tua chaga
Apedreja essa mão vil que te afaga.
Escarra nessa boca de que beija!
postado por Marlene de goes







P

sexta-feira, 12 de julho de 2013

JA NÃO FALO DE TI

NÃO: JÁ NÃO FALO DE TI

Não: já não falo de ti, já não sei de saudades.
Feche-se o coração como um livro, cheio de imagens,
de palavras adormecidas, em altas prateleiras,
até que o pó desfaça o pobre desespero sem força,
que um dia, pode ser, parece tão terrível.

A aranha dorme em sua teia, lá fora, entre a roseira e o muro.
Resplandecem os azulejos- e tudo quanto posso ver.
O resto é imaginado, e não coincide, e é temerário
cismar. Talvez se as pálpebras pudessem
inventar outros sonhos, não de vida...

Ah! rompem-se na noite ardentes violas,
pelo ar e pelo frio subitamente roçadas.
Por onde pascerão, nestes céus invioláveis,
nossas perguntas com suas crinas de séculos arrastando-se...
Não só de amor a noite transborda mas de terríveis
crueldades, loucuras, de homicídios mais verdadeiros.

Os homens de sangue estão nas esquinas resfolegando,
e os homens da lei sonolentos movem letras
sobre imensos papéis que eles mesmos não entendem...
Ah! que rosto amaríamos ver inclinar-se na aérea varanda?
Nem os santos podem mais nada. Talvez os anjos abstratos
da álgebra e da geometria.
Cecília Meirelis

quarta-feira, 3 de julho de 2013

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