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quinta-feira, 7 de novembro de 2013

MEU ORGULHO E INCÕNSTANCIA

 O MEU ORGULHO  
Lembro-me o que fui dantes. Quem me dera Não lembrar! Em tardes dolorosas Lembro-me que fui a primavera Que em muros velhos faz nascer as rosas! As minhas mãos outrora carinhosas Pairavam como pombas... Quem soubera Por que tudo passou e foi quimera, E por que os muros velhos não dão rosas! São sempre os que eu recordo que me esquecem... Mas digo para mim: "Não me merecem..." E já não fico tão abandonada! Sinto que valho mais, mais pobrezinha: Que também é orgulho ser sozinha E também é nobreza não ter nada!   
INCONSTÂNCIA  
Procurei o amor, que me mentiu.  Pedi à vida mais do que ela dava;  Eterna sonhadora edificava  Meu castelo de luz que me caiu!  Tanto clarão nas trevas refulgiu,  E tanto beijo a boca me queimava!  E era o sol que os longes deslumbrava  Igual a tanto sol que me fugiu!  Passei a vida a amar e a esquecer...  Atrás do sol dum dia outro a aquecer  As brumas dos atalhos por onde ando...  E este amor que assim me vai fugindo  É igual a outro amor que vai surgindo,  Que há-de partir também... nem eu sei quando... 

Florbela Espanca
postado por marlene de goes

terça-feira, 5 de novembro de 2013

domingo, 3 de novembro de 2013

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

ESPECIALMENTE PARA VOCE

                          Deixar de sonhar de amar é como deixar de viver
                          É olhar sem enxergar É caminhar sem mover-se do 
                           lugar.
                          É sentir o aperto no peito sem ter lágrimas 
                          para teu rosto banhar.
postado por marlene de goes






segunda-feira, 28 de outubro de 2013

sábado, 26 de outubro de 2013

MEU SONETO

O Meu SonetoEm atitudes e em ritmos fleumáticos, 
Erguendo as mãos em gestos recolhidos, 
Todos brocados fúlgidos, hieráticos, 
Em ti andam bailando os meus sentidos... 

E os meus olhos serenos, enigmáticos 
Meninos que na estrada andam perdidos, 
Dolorosos, tristíssimos, extáticos, 
São letras de poemas nunca lidos... 

As magnólias abertas dos meus dedos 
São mistérios, são filtros, são enredos 
Que pecados d´amor trazem de rastros... 

E a minha boca, a rútila manhã, 
Na Via Láctea, lírica, pagã, 
A rir desfolha as pétalas dos astros!.. 

Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas"

Tema(s): Alma Ler outros poemas de Florbela Espanca
Postado por marlene de goes 

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