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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

DORME QUE A VIDA É NADA

Dorme, que a vida é nada!

Dorme, que a vida é nada!
Dorme, que tudo é vão!
Se alguém achou a estrada,
Achou-a em confusão,
Com a alma enganada.
Não há lugar nem dia
Para quem quer achar,
Nem paz nem alegria
Para quem, por amar,
Em quem ama confia.
Melhor entre onde os ramos
Tecem docéis sem ser
Ficar como ficamos,
Sem pensar nem querer,
Dando o que nunca damos.
 
Fernando Pessoa  postado por marlene de goes









sexta-feira, 22 de novembro de 2013

SONETO DO AMOR TOTAL

Soneto do Amor Total

Amo-te tanto, meu amor… não cante
O humano coração com mais verdade…
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade
Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
Vinicius de Moraes 
Postado por Marlene de Goes





terça-feira, 19 de novembro de 2013

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

MEU ORGULHO E INCÕNSTANCIA

 O MEU ORGULHO  
Lembro-me o que fui dantes. Quem me dera Não lembrar! Em tardes dolorosas Lembro-me que fui a primavera Que em muros velhos faz nascer as rosas! As minhas mãos outrora carinhosas Pairavam como pombas... Quem soubera Por que tudo passou e foi quimera, E por que os muros velhos não dão rosas! São sempre os que eu recordo que me esquecem... Mas digo para mim: "Não me merecem..." E já não fico tão abandonada! Sinto que valho mais, mais pobrezinha: Que também é orgulho ser sozinha E também é nobreza não ter nada!   
INCONSTÂNCIA  
Procurei o amor, que me mentiu.  Pedi à vida mais do que ela dava;  Eterna sonhadora edificava  Meu castelo de luz que me caiu!  Tanto clarão nas trevas refulgiu,  E tanto beijo a boca me queimava!  E era o sol que os longes deslumbrava  Igual a tanto sol que me fugiu!  Passei a vida a amar e a esquecer...  Atrás do sol dum dia outro a aquecer  As brumas dos atalhos por onde ando...  E este amor que assim me vai fugindo  É igual a outro amor que vai surgindo,  Que há-de partir também... nem eu sei quando... 

Florbela Espanca
postado por marlene de goes

terça-feira, 5 de novembro de 2013

domingo, 3 de novembro de 2013

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