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quarta-feira, 28 de agosto de 2013

AS TUAS MÃOS


Tuas Mãos
Quando tuas mãos saem,
amada, para as minhas,
o que me trazem voando?
Por que se detiveram
em minha boca, súbitas,
e por que as reconheço
como se outrora então
as tivesse tocado,
como se antes de ser
houvessem percorrido
minha fronte e a cintura?
Sua maciez chegava
voando por sobre o tempo,
sobre o mar, sobre o fumo,
e sobre a primavera,
e quando colocaste
tuas mãos em meu peito,
reconheci essas asas
de paloma dourada,
reconheci essa argila
e a cor suave do trigo.
A minha vida toda
eu andei procurando-as.
Subi muitas escadas,
cruzei os recifes,
os trens me transportaram,
as águas me trouxeram,
e na pele das uvas
achei que te tocava.
De repente a madeira
me trouxe o teu contacto,
a amêndoa me anunciava
suavidades secretas,
até que as tuas mãos
envolveram meu peito
e ali como duas asas
repousaram da viagem.
postdado por marlene d goes

4 comentários:

Ana Dias disse...

Querida Marlene vim desejar a você uma tarde abençoada pelos anjos.
Muita luz em sua caminhada!
Jesus te proteja com sua doce proteção.
Paz e Luz!
Abraços fraternos
Ana Dias

Wanderley Elian Lima disse...

Olá Marlene
Magnífico poema de Neruda que sempre nos apresenta belas composições de amor.
Bjux

António Jesus Batalha disse...

Amiga Marlene é bom voltar ao seu blog, ver e ler o que está publicando,só posso agradecer pelos textos,
com que nos presentei-a, desejo que continue de saude e com muita paz.
Deixo as minhas saudações, com desejo de muitas felicidades.
Sou António Batalha.
Do Peregrino E Servo.

Anne Lieri disse...

Lindas as mãos como asas!Adorei essa poesia de amor!bjs,

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