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terça-feira, 29 de março de 2011

A LIBERDADE

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa…
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças…
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca…
Este poema é perfeito para aqueles dias em que não se quer saber dos livros. Afinal, o rio corre, bem ou mal, sem edição original.


Fernando Pessoa

4 comentários:

heli disse...

Marlene.
Adoro ler, adoro os livros, mas tem horas que a gente os deixa de lado.
Com Fernando Pessoa sempre há uma nova aprendizagem. uma nova descoberta.
beijos
heli

Arnoldo Pimentel disse...

Muito bom seu texto, eu gosto muito de ler, mas acho que tem seus momentos certos.Beijos.

Sônia Silvino disse...

Muito criativo!!! Rebelde no tom exato!
Beijocas, minha querida!

Jorge disse...

tem momentos e momentos. De qualquer, qualquer momento é momento de ser feliz!

Um doce beijo, Anjo!!!

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