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quarta-feira, 23 de março de 2011

NOS BOSQUES PERDIDOS


Nos bosques, perdido, cortei um ramo escuro
E aos labios, sedento, levante seu sussurro:
era talvez a voz da chuva chorando,
um sino quebrado ou um coração partido.
Algo que de tão longe me parecia
oculto gravemente, coberto pela terra,
um gruto ensurdecido por imensos outonos,
pela entreaberta e úmida treva das folhas.
Porém ali, despertando dos sonhos do bosque,
o ramo de avelã cantou sob minha boca
E seu odor errante subiu para o meu entendimento
como se, repentinamente, estivessem me procurando as raízes
que abandonei, a terra perdida com minha infância,
e parei ferido pelo aroma errante.
Não o quero, amada.
Para que nada nos prenda
para que não nos una nada.
Nem a palavra que perfumou tua boca
nem o que não disseram as palavras.
Nem a festa de amor que não tivemos
nem teus soluços junto à janela...

Pablo Neruda

fonte=ainda melhor-poesias.com
postado por Marlene

6 comentários:

Lena disse...

Oi, querida amiga Marlene
Pablo Neruda é imbatível mesmo. Lindo o poema! E em tempo, seu blog está maravilhoso. Beijos com muito carinho!!!

Maria José disse...

Marlene, querida amiga. Adoro Pablo Nerudo. Sempre que entro aqui em seu blog, saio renovada. Beijos e obrigada por sua visita ao Arca. Você é sempre muito bem vinda.

Kiro Menezes disse...

Que lindo né?!

Uau... Belíssimo ♥

manuel marques disse...

Lindíssimo.

Beijo.

Ao toque do Amor disse...

Boa Tarde! vim, te visitar e oferecer o selo de destaque do Toque
com o meu carinho
san

Jorge disse...

O Amor unifica corações, e ainda assim, são individualizados. Amo, mas sou livre e você também é livre.

Minha doce amiga, um beijo em teu coração!!

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