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sábado, 31 de março de 2012

AS MANHÃS DE ABRIL






[Image] Manhãs de Abril           
E ainda não é inverno...
Abaixo do Equador,
Na fresca manhã de outono,
Sopra um vento doce, terno...É uma das manhãs de abril,
Com seus gorjeios de amor,
Seus resquícios de calor,
Encanto misterioso,
Folhas ao ar acenando
Um até-breve saudoso...Se para alguns é o outono
Do verão a despedida,
Para outros representa
A celebração da vida...
Da vida em recolhimento
No ventre da natureza,
A voltar na primavera
Em toda sua grandeza.Aproveito este momento,
Quero curtir a magia,
Misto de melancolia
Que me enche de emoção...
Se este abril vai passar,
Pra minha consolação,
Outros hão de retornar
Me encantando o coração...


 SITE ORIZA MARTINS POSTADO POR MARLENE DE GOES

sexta-feira, 30 de março de 2012

O POÇO

Pablo Neruda – Poemas

Pablo Neruda – Poemas Originais Traduzidos
Cais, às vezes, afundas
em teu fosso de silêncio,
em teu abismo de orgulhosa cólera,
e mal consegues
voltar, trazendo restos
do que achaste
pelas profunduras da tua existência.
Meu amor, o que encontras
em teu poço fechado?
Algas, pântanos, rochas?
O que vês, de olhos cegos,
rancorosa e ferida?
Não acharás, amor,
no poço em que cais
o que na altura guardo para ti:
um ramo de jasmins todo orvalhado,
um beijo mais profundo que esse abismo.
Não me temas, não caias
de novo em teu rancor.
Sacode a minha palavra que te veio ferir
e deixa que ela voe pela janela aberta.
Ela voltará a ferir-me
sem que tu a dirijas,
porque foi carregada com um instante duro
e esse instante será desarmado em meu peito.
Radiosa me sorri
se minha boca fere.
Não sou um pastor doce
como em contos de fadas,
mas um lenhador que comparte contigo
terras, vento e espinhos das montanhas.
Dá-me amor, me sorri
e me ajuda a ser bom.
Não te firas em mim, seria inútil,
não me firas a mim porque te feres.
postado por marlene de goes

quinta-feira, 29 de março de 2012

MOTIVO



Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.


Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.


Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.


Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.
Cecília MeirelesPOSTADO POR MARLENE DE GOESsite o pensador

terça-feira, 27 de março de 2012

ATRAVESSA ESTA PAISAGEM O MEU SONHO







Atravessa esta paisagem o meu sonho dum porto infinito
E a cor das flores é transparente de as velas de grandes navios
Que largam do cais arrastando nas águas por sombra
Os vultos ao sol daquelas árvores antigas...
O porto que sonho é sombrio e pálido
E esta paisagem é cheia de sol deste lado...
Mas no meu espírito o sol deste dia é porto sombrio
E os navios que saem do porto são estas árvores ao sol...
Liberto em duplo, abandonei-me da paisagem abaixo...
O vulto do cais é a estrada nítida e calma
Que se levanta e se ergue como um muro,
E os navios passam por dentro dos troncos das árvores
Com uma horizontalidade vertical,
E deixam cair amarras na água pelas folhas uma a uma dentro...
Não sei quem me sonho...
Súbito toda a água do mar do porto é transparente
E vejo no fundo, como uma estampa enorme que lá estivesse desdobrada,
Esta paisagem toda, renque de árvore, estrada a arder em aquele porto,
E a sombra duma nau mais antiga que o porto que passa
Entre o meu sonho do porto e o meu ver esta paisagem
E chega ao pé de mim, e entra por mim dentro,
E passa para o outro lado da minha alma...
Fernando Pessoa
site do portal de emoções
poesia e companhia.com

postado por marlene de goes

segunda-feira, 26 de março de 2012

PARALÉLO IMPERFEITO


Descem a encosta dos montes
As águas frias, barrentas,
Resultantes das tormentas
Que assolam suas fontes…
Assim também os meus sonhos
Resvalam pelas vertentes
De lutas intermitentes
Em ingratos horizontes…
As águas dos temporais,
Limpas, cíclicas, retornam
E a natureza transformam
Em fascinantes caudais…
Mas meus ciclos de bonança
Relutam em retornar
E novas chances me dar
De ver os sonhos reais…
Se a água pura, em descida,
Fertiliza a natureza,
Sacraliza com beleza
A união que gera a vida,
Nos ciclos de meu viver
Dissolvem-se as esperanças
Mescladas com as lembranças
De cada ilusão perdida…





sexta-feira, 23 de março de 2012

NOSTALGIA POETA DANIEL COSTA


NOSTALGIA
Doce recordar, Será magia?
Será a doce nostalgia?
Será a doce lembrança?
Do amor de algum dia
Do amor que não esqueceu
Um amor que não morreu
Gravado sempre ficou
Jamais deixar de recordar
Essa ternura de amar
Recordar esse farol
Como marinheiro do alto mar
Deuses!... Como consola amar
Ternura que se estendeu
Esse alto mar não perdeu
A ternura, a nostalgia, a esperança
Sempre o acto de muito amar
Pensamento a navegar
A nostalgia nunca vai minar
A grande ternura de amar
Esperança e nostalgia,
Podem encerrar magia
O tranquilo acto de amar
De alguém que está a regressar
De novo o alto mar
Por perto seria mais fácil amar
E... de novo a doce nostalgia
De ter amado alguém um dia

Daniel Costa
AGRADEÇO AO QUERIDO  AMIGO
POETA DAN IEL COSTA  
que tão gentlmente permitiu
que eu postasse seu poema
para enfeitar minha pagina e alegrar o coração dos amigos
obrigada amigo poeta por sua generosidade
postado por marlene de goes

quinta-feira, 22 de março de 2012

PEQUENA SELEÇÃO DE POEMAS




                       UMA PEQUENA SELEÇÃO DE POEMAS PARA SEU CORAÇÃO
                      SITE ORIZA MARTINS POEMAS 
POSTADO POR MARLENE DE GOES

quarta-feira, 21 de março de 2012

SAUDADE VOCE TEM NOME



Saudade, você tem nome...


Vive comigo a saudade,
Mas não serve, na verdade,
Para aliviar-me a dor,
Teima em não se revelar,
Quer anônima ficar,
Pra meu total dissabor.


Saudade, você tem nome...


Saudade, dissimulada,
Deixa minh’alma arrasada
Sem ter dó, sem compaixão,
Quer ver meus dias sombrios,
Meus sentimentos vazios,
Saudade é escravidão.


Saudade, você tem nome!...


Saudade, você tem nome,
Um nome que me consome,
Mas que eu guardo em segredo
(De revelar tenho medo)
Um segredo-obsessão
Que detona o coração,
De um amor proibido,
Que dói, jamais esquecido,
Prego em meu peito cravado,
Um caso mal resolvido,
Um sonho esmaecido
Nas brumas do meu passado...
Oriza/2007


saudade voce tem nome
site  poemas oriza martins
posado por marlene degoes

segunda-feira, 19 de março de 2012

MEU SONHO


Meu Sonho (Cecília Meireles)

Parei as águas do meu sonho
para teu rosto se mirar.
Mas só a sombra dos meus olhos
ficou por cima, a procurar...
Os pássaros da madrugada
não têm coragem de cantar,
vendo o meu sonho interminável
e a esperança do meu olhar.
Procurei-te em vão pela terra,
perto do céu, por sobre o mar.
Se não chegas nem pelo sonho,
por que insisto em te imaginar?
Quando vierem fechar meus olhos,
talvez não se deixem fechar.
Talvez pensem que o tempo volta,
e que vens, se o tempo voltar.
CECILIA MEIRELIS
SITE AINDA MELHOR.COM/POESIAS
POSTADO POR MARLENE DE GOES


quinta-feira, 15 de março de 2012

O MEU IMPOSSIVEL



Minh'alma ardente é uma fogueira acesa,
É um brasido enorme a crepitar!
Ânsia de procurar sem encontrar
A chama onde queimar uma incerteza!


Tudo é vago e incompleto! E o que mais pesa
É nada ser perfeito. É deslumbrar
A noite tormentosa até cegar,
E tudo ser em vão! Deus, que tristeza!...

Aos meus irmãos na dor já disse tudo
E não me compreenderam!... Vão e mudo
Foi tudo o que entendi e o que pressinto...

Mas se eu pudesse a mágoa que em mim chora
Contar, não a chorava como agora,
Irmãos, não a sentia como a sinto!...

POEMA DE FLORBELA ESPANCA

postado por marlene de goes



Ler mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=1316#ixzz1pDgJ8y7h
Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial No Derivatives
 

terça-feira, 13 de março de 2012

SONETO DO AMOR TOTAL



POESIA

Soneto do amor total

Rio de Janeiro

Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade

Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
 vinicius de moraes
site viniciusdemoraes.com.br
postado por marlene de goes


segunda-feira, 12 de março de 2012

CANTO INTEGRAL DO AMOR


Cegos os olhos, continuarias de qualquer forma, presente,
surdos os ouvidos, e tua voz seria ainda a minha música,
e eu mudo, ainda assim, seriam tuas as minhas palavras.
Sem pés, te alcançaria a arrastar-me como as águas,
sem braços, te envolveria invisível, como a aragem,
sem sentidos, te sentiria recolhida ao coração como
o rumor do oceano nas grutas e nas conchas.
Sem coração, circularias como a cor em meu sangue,
e sem corpo, estarias nas formas do pensamento
como o perfume no ar.
E eu morto, ainda assim por certo te encontrarias
no arbusto que tivesse suas raízes em meu ser,
- e a flor que desabrochasse murmuraria teu nome.
JG DE ARAUJO JORGE
site loverspoemas.com 
postado por marlene de goes 


domingo, 11 de março de 2012

HOJE ESTOU TRISTE


Hoje estou triste
Amor... Hoje estou triste... Nesses dias
a vida de repente se reduz
a um punhado de inúteis fantasias...
... Sou uma procissão só de homens nus...

Olho as mãos, minhas pobres mãos vazias
sem esperas, sem dádivas, sem luz,
que hão semear vagas melancolias
que ninguém vai colher, mas que compus...

Amor, estou cansado, e amargo, e só...
Estou triste mais triste e pobre do que Jó,
- por que tentar um gesto? E para quê?

Dê-me, por Deus, um trago de esperança...
Fale-me, como se fala a uma criança
do amor, do mar, das aves... de você!


  ( Poema de JG  de Araujo Jorge
 " O Poder da Flor  "  - 1969 )

site J G DE ARAUJO  JORGE.COM
POSTADO POR MARLENE DE GOES



sexta-feira, 9 de março de 2012

TUAS MÃOS

Quando tuas mãos saem,
amada, para as minhas,
o que me trazem voando?
Por que se detiveram
em minha boca, súbitas,
e por que as reconheço
como se outrora então
as tivesse tocado,
como se antes de ser
houvessem percorrido
minha fronte e a cintura?
Sua maciez chegava
voando por sobre o tempo,
sobre o mar, sobre o fumo,
e sobre a primavera,
e quando colocaste
tuas mãos em meu peito,
reconheci essas asas
de paloma dourada,
reconheci essa argila
e a cor suave do trigo.
A minha vida toda
eu andei procurando-as.
Subi muitas escadas,
cruzei os recifes,
os trens me transportaram,
as águas me trouxeram,
e na pele das uvas
achei que te tocava.
De repente a madeira
me trouxe o teu contacto,
a amêndoa me anunciava
suavidades secretas,
até que as tuas mãos
envolveram meu peito
e ali como duas asas
repousaram da viagem.
Pablo Neruda 
site
Poesiaspoemaseversos.com.br
POSTADO POR marlene de goes




quinta-feira, 8 de março de 2012

TEU LIRIO HOMENAGEM AS MULHERES

  1. O TEU LÍRIO
    EU, MULHER, SOU COMO EM CAMPO UM LÍRIO
    ONDE TU PODES SENTIR TODO O ESPLENDOR
    DE TODOS MEUS SENTIMENTOS A TI COM CALOR
    E DE TI A MIM EM ESCRAVO DELÍRIO.
    SE A TUA FORMOSURA TE TORMENTARIAS,
    TORMENTASTE-IA TU A MIM COMOVENTE
    PORQUE DESPREZAR O PURO SER É INCOERENTE
    E MUI IMPACIENTE TU SEM EU SOFRERIAS.
    SE É QUE TE AFLIGES, MULHER EM SABER
    QUE OUTRO QUALQUER NÃO TEM O QUE TENHO
    SENÃO PARA TI SERIA MARAVILHOSO DESENHO
    DO LÍRIO QUE TEUS OLHOS NÃO PODEM DETER.
    E O LÍRIO QUE PODES VER AGORA NASCER
    PRO TEU CORAÇÃO TRISTE E SOLITÁRIO
    SOU EU, VINDO COMO NO TEU ANIVERSÁRIO
    COMO UM PRESENTE QUE TENS EM MERECER.
    ENTÃO, SERÁS COMO ABELHA NESSA HORA
    ATRAÍDA AO PÓLEN COM INFINITA ALEGRIA,
    DE TRISTEZA E SOLIDÃO NÃO MAIS SOFRERIAS,
    E O FAVO NÃO ABANDONA E NEM VAIS EMBORA.
    LÍRIO, FLOR GRANDE, BELA, RARA, E FORMOSA,
    PARA TI NASCE EM IMPORTANTE E LINDA FLOR,
    E TU VAIS A ELE COM MUITO AFETO E AMOR,
    E ELE A TI DARÁ A EMOÇÃO ESTRONDOSA.
    ÓH MULHER! ENXERGO A TRISTEZA QUE SENTIAS
    EM SABER DE TUAS LÁGRIMAS MULHER QUERIDA
    QUE ESTAVAS COM ALGUÉM, MAS PERDIDA
    E COM ESSE ALGUÉM SEM AMOR TU MUITO SOFRIAS.
    EU SOU LÍRIO, MAS TU ÉS A CLARA NATUREZA,
    MULHER QUE TOMA CONTA DE TODO MEU ESTADO,
    QUE EM LÁGRIMAS DE EMOÇÃO CHORAS AO MEU LADO,
    E COM CARINHOS E BEIJOS ME APALPA COM TUA BELEZA.
    ÓH VERSOS! TU QUE SABES O QUE É O AMOR DADO
    DE TODA NATUREZA BELA, AMADA E FORMOSA,
    ESTÁS A VER A GLÓRIA DE DEUS MARAVILHOSA,
    QUE O AMOR AO TOCAR-ME DEIXA TEU SEIO COLADO.
    MULHER TU ÉS O RECANTO DE MEUS PRESENTES DIAS
    EM QUE POSSO AÍNDA JOVEM FAZER MUITA NOÇÃO,
    PORQUE SINTO SAUDADE DO BOM PASSADO EM COMOÇÃO,
    PORQUE AMANHÃ VELHO E CANSADO VIVEREI DE NOSTALGIAS.
    POESIA FEITA EM HOMENAGEM AO ANIVERSÁRIO DE
    MINHAS AMIGAS, AMANTES E COMPANHEIRAS DA ÉPOCA.
    E TAMBÉM POESIA EM HOMENAGEM AO DIA DA MULHER.
    PAULO ROBERTO SCHONROCK – Março de 1985.
    www.culturalivre.com
    postado por marlene de goes

segunda-feira, 5 de março de 2012

ESPERANÇA POEMA DE MARIO QUINTANA

Mário Quintana

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...

Texto extraído do livro "
Nova Antologia Poética", Editora Globo - São Paulo, 1998, pág. 118.  POEMA DE MARIO QUINTANA

Tudo sobre o autor e sua obra em "
Biografias".

postado por marlene de goes

sábado, 3 de março de 2012

TEUS OLHOS ENTRISTECEM




Teus olhos entristecem

Fernando Pessoa
orkut
Teus olhos entristecem. Nem ouves o que digo. Dormem, sonham, esquecem... Não me ouves, e prossigo. Digo o que já, de triste, Te disse tanta vez... Creio que nunca o ouviste De tão tua que és. Olhas-me de repente De um distante impreciso Com um olhar ausente. Começas um sorriso. Continuo a falar. Continuas ouvindo O que estás a pensar, Já quase não sorrindo. Até que neste ocioso Sumir da tarde fútil, Se esfolha silencioso O teu sorriso inútil.
fernando pessoa
postado por marlene de goes

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